A Influência da Mentalidade do Gestor na Execução Direta em Obra
A Influência da Mentalidade do organizador da obra
Guilherme Leite Barros
4/7/20253 min read


Tenho refletido sobre a estreita relação entre a mentalidade dos gestores e a execução dos serviços no canteiro de obra. Em inúmeras reuniões e debates, percebo que as decisões tomadas no ambiente administrativo reverberam diretamente no andamento físico da construção, e muitas vezes, essas escolhas podem resultar em consequências financeiras e operacionais significativas.
Uma História de Planejamento e Conflito de Perspectivas
Recentemente, planejei a execução de uma etapa crítica em uma obra: o assentamento dos contramarcos de janelas, que deveria ocorrer antes do reboco da fachada. Minha justificativa era clara: instalar os contramarcos previamente evitaria que o executor do reboco precisasse retornar à obra para refazer o acabamento ao redor das janelas. A própria equipe de obra ficaria encarregada de marcar a fachada, criando uma referência visual para o reboco e garantindo maior precisão na instalação dos contramarcos.
No entanto, em uma reunião com o coordenador e o diretor, fui questionado sobre o porquê de ainda não ter iniciado o reboco da fachada, que, segundo eles, estava previsto para começar há duas semanas. A argumentação deles girava em torno do cronograma estabelecido e do impacto direto no marketing do produto – o prédio em si. Segundo seus apontamentos, o custo de realizar possíveis ajustes não seria tão elevado. Diante dessa pressão, acabei modificando o cronograma, deslocando equipes para setores não previstos originalmente.
Essa mudança de planos resultou em uma série de complicações:
Houve atraso na conclusão do reboco interno, pois parte da equipe precisou dividir esforços com a área externa.
Algumas janelas exigiram um tratamento especial, utilizando argamassa flexível em recortes e acabamentos, o que elevou os custos devido à necessidade de aditivos de retração.
Tudo isso culminou em atrasos e falhas na execução, evidenciando a importância de manter um planejamento técnico consistente.
A Importância da Autonomia Técnica na Gestão de Obras
O episódio acima ilustra um ponto crucial: a mentalidade dos gestores, muitas vezes distante da realidade do canteiro de obra, pode comprometer estratégias que visam eficiência e economia no uso dos recursos. Dados recentes mostram que, em 2023, mais de 40% dos atrasos em obras de médio e grande porte foram atribuídos a decisões administrativas desconectadas das condições práticas e técnicas de execução.
Essa realidade reforça a necessidade de que:
Gestores e equipes administrativas estejam bem integrados com o time de campo. Segundo pesquisas, empresas que promovem uma comunicação efetiva entre o escritório e o canteiro de obra conseguem reduzir retrabalhos em até 30%.
Surge uma grande necessidade: profissionais administrativos de obras (engenheiro, supervisor, encarregado) precisam ter, além de habilidades econômicas e de planejamento, um profundo conhecimento das técnicas construtivas e dos desafios operacionais. Investir em treinamentos técnicos pode fazer a diferença na tomada de decisões estratégicas.
Planejamento e execução caminhem lado a lado. Utilizar metodologias modernas de gestão, como o BIM (Building Information Modeling), permite uma visualização mais clara dos processos e facilita o alinhamento entre o que é planejado e o que é executado no campo.
Lições para o Mercado Atual
Em um cenário onde a competitividade e a exigência por prazos rigorosos se intensificam, o papel do gestor se transforma. Não basta apenas administrar cronogramas e alocar recursos; é essencial que haja uma compreensão holística dos processos construtivos para que as decisões administrativas sejam fundamentadas em dados técnicos e na realidade do canteiro.
Os desafios observados no caso relatado me levam a refletir sobre duas necessidades centrais no mercado atual:
Alta capacidade de convencimento e conhecimento técnico para quem atua na administração da obra: profissionais capacitados conseguem demonstrar, com embasamento, a viabilidade de métodos que, à primeira vista, podem parecer divergentes das metas estabelecidas, mas que, a médio e longo prazo, trazem mais eficiência e economia.
Gestores próximos à execução: a proximidade com o canteiro e o entendimento dos desafios reais possibilitam uma gestão mais ágil e assertiva, contribuindo para a minimização de riscos e minimizando retrabalhos.
Conclusão
Pelo que experimentei e observei, a integração entre planejamento técnico e gestão administrativa é imperativa para o sucesso de uma obra. O equilíbrio entre seguir um cronograma e adaptar-se às necessidades técnicas pode ser o diferencial entre uma obra realizada com excelência e um projeto marcado por atrasos e custos adicionais.
A experiência me ensinou que reavaliar constantemente os métodos e manter os canais de comunicação abertos entre o escritório e o canteiro é fundamental. É preciso reconhecer que, muitas vezes, o conhecimento acumulado dos profissionais que atuam na execução é a chave para se evitar problemas futuros e garantir que a visão do projeto seja realizada com eficiência.
Em resumo, a mentalidade e os objetivos dos gestores possuem um impacto direto na execução dos serviços em obra. Investir na capacitação e na integração entre equipes é uma estratégia indispensável para transformar desafios em oportunidades de crescimento e melhoria contínua no setor da construção.
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